Contradição Empresarial do Google: Open Directory Project

Assistimos na internet uma enorme contradição empresarial do Google – de um lado, fatura bilhões de dólares por ano, e de outro, seu diretório depende do serviço de editores voluntários do Open Directory Project, também conhecido como DMOZ (derivação de Directory MOZilla). E quase todo o mundo sabe a precariedade desses serviços voluntários feitos em grandes diretórios, inclusive das manipulações que ocorrem. Apresento a seguir dados concretos sobre vários problemas que envolvem este processo de indexação do Google, inclusive com documentos, e discuto as possíveis razões para a permanência dessa contradição.

Relação Diretório do Google e DMOZ – Os sites indexados no diretório do Google são retirados do Open Directory. Isto significa que, se um site for aceito no DMOZ, entrará no diretório do Google, e o inverso naturalmente é verdadeiro, posto que não há outro caminho para ser listado no diretório do Google. E o que significa ser listado no diretório do Google? Significa promoção dentro do banco de dados do Google, já que os sites listados no DMOZ são, supostamente, de boa qualidade. Após ser listado no DMOZ, o site é listado em dezenas de pequenos diretórios, seus parceiros, além da listagem no do Google. Como conseqüência, ocorre uma subida imediata do rank do site no Google.

Influência no Tráfego – A influência dessas indexações sobre o tráfego é indireta: aumentando-se o rank, melhora-se a posição na listagem da web. Do ponto de vista direto, ou seja, visitantes que vieram desses diretórios, inclusive do do Google, a influência é desprezível. Quem tem bom programa de estatística e analisa a procedência dos visitantes ao seu site, sabe disto. Pouca gente utiliza os diretórios; em conseqüência, eles geram tráfego desprezível.

Precariedades dos Diretórios – Grandes diretórios, em especial os que dependem de editores voluntários, apresentam problemas sérios. Vou listar alguns deles, utilizando a experiência que acumulei, inclusive com o DMOZ.

1. Ausência de uniformidade de critérios entre os editores – Quando o site é submetido, ele entra numa fila para ser examinado por um editor, e que, no caso do Open, é um voluntário. Vou dar um exemplo pessoal para demonstrar a precariedade nos critérios.

Em maio de 2004 um de meus sites em inglês foi indexado no DMOZ (surpreendentemente em menos de um mês após a submissão) e pouco depois se achava no diretório do Google. Em junho do mesmo ano submeti a versão em português desse site e, depois de muitos tempo, recebi a resposta de que o editor recusou o site. Questionei a decisão em um fórum do Open, onde os iditores davam informações sobre os status das submissões, argumentei o que ocorrera com a versão em inglês, pedi para falar diretamente com o editor, que morava em Portugal. Parte da resposta foi a transcrição de uma das regras do diretório, na qual a pessoa pinçou uma ameaça velada: qualquer site podia ser excluído do diretório, em qualquer época e sem explicação. Entendi o recado: eu deveria ficar quieto, pois o site em inglês poderia ser excluído do diretório. E isto acontece mesmo – é comum pessoas se queixarem de que seus sites foram excluídos, e por razões desconhecidas (e vão morrer sem sabê-las). A seguir estão duas imagens que fiz da troca de mensagens no fórum, e que comprovam o que acabo de escrever.

Portanto, um site submetido ao DMOZ está sujeito aos humores, conceitos e preconceitos dos editores. O que deveria ser uma vantagem, o site ser analisado por uma pessoa, a qual deveria atestar sua utilidade, pode se transformar em desvantagem.

2. Credibilidade – Muitos editores de grandes diretórios são corruptos ou passíveis de serem corrompidos. Uma empresa americana de otimização de sites colocou, entre os argumentos para o cliente escolhê-la, o fato de que mantinha empregados seus como editores voluntários em grandes diretórios, pelo que a aceitação dos sites de seus clientes por eles estaria garantida. Por tais coisas, esses diretórios mantidos por editores voluntários carecem, hoje, de credibilidade junto ao público.

3. Falta de Editores – Um site submetido ao DMOZ pode ficar anos (sim, anos) na lista de espera por falta de editor na categoria especificada. Suspeito que isto ocorre em categorias em que empresas de otimização e marketing não têm interesses.

4. Descompromisso com a informação – Parece paradoxal mas é isto mesmo: numa área em que a informação é a alma do negócio, não há qualquer compromisso em informar os motivos de uma eventual rejeição de qualquer site. E aqui, de novo, o Google mostra fragilidade. Pode-se, com conhecimentos medianos de otimização, entender porque o Google (vou ficar só nele por causa de sua implicação com o DMOZ) baniu um determinado site de seu banco de dados, mas não se pode saber porque um editor eliminou um determinado site do DMOZ (controlado pelo Google). Ora, em área tão competitiva como é o mercado americano de sites, onde rola tanto dinheiro, é lícito pensar, até, que um editor pode excluir um site para atrapalhar um concorrente da firma onde ele trabalha.

No caso do DMOZ, isto gerou tanta celeuma no fórum que eles acabaram eliminando, em maio de 2005, a possibilidade de donos ou representantes de sites receberem algum tipo de resposta dos editores.

Estes são alguns fatores que contribuem para que diretórios como o DMOZ se tornem desacreditados. E como é o lado financeiro do Google nesta questão?

Bilhões vs Serviço Gratuito – O Google é um fenômeno raro: é avaliado no mercado americano em 100 (isto mesmo, cem) bilhões de dólares, e há quatro anos atrás era facilmente manipulado pelos webmasters. Ou seja, nos últimos anos esta empresa deu um enorme salto quantitativo e qualitativo em seus serviços e, ao mesmo tempo, depende, para o seu diretório, de serviços feitos gratuitamente por terceiros. Quem acompanha a trajetória dos mecanismos de busca, sabe da agilidade do Google em resolver problemas (por exemplo, descobrir e bloquear truques para obter bom posicionamento). E por que eles fingem que não sabem desses problemas no DMOZ?

Money, money, esta é, provavelmente, a resposta. Mudar a prática e pagar editores pelo serviço, custaria uma fortuna. Ademais, levar a sério o assunto tocaria em uma área sensível: o ótimo casamento do Adwords (serviço de anúncios pagos) e o Adsense (serviço que remunera donos de sites onde foram colocados anúncios). Uma vez que os sites dos diretórios são pouco visitados (assim suponho), os cliques vindos dali geram pouca renda aos parceiros; então é melhor deixar isso de lado. Dar-lhe importância seria trazer à luz o quanto são fracas as rendas do Adsense ali, o que seria um desestímulo ao negócio. Entretanto, a situação dos dois diretórios (Google e DMOZ) me parece tão séria, tão destoante da imagem vencedora, que um dia o Google terá de enfrentar o problema. E, na minha opinião, o caminho mais certo será o fechamento dos diretórios.

Esta entrada foi publicada em otimizacao. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

3 respostas a Contradição Empresarial do Google: Open Directory Project

  1. byWlad disse:

    Sites de venda na Internet me parecem fadados ao sucesso quando: Tem bons produtos, tem preços justos e principalmente cumprem o tempo de entrega. Em nada diferente do mundo real, de minha parte não vejo com bons olhos páginas lotadas de anúncios e banners, aliás a praga dos banners parece estar desaparecendo da internet. Concordo com você Ruy sobre a tenue fronteira ética entre os que veêm “nesse país de miseráveis” uma oportunidade para ganhar dinheiro e uma real oportunidade de negócios. Se Americanos já se deram conta e uso da picaretagem imagine nós, especialistas mundiais nessa tecnologia capazes de dar aulas e desenvolver teses sobre picareta dignos de um MIT, não há solução possível. Curiosidade NET: O Brasil é o maior consumidor mundial de resina Epox, umas 8 vezes o consumo per capita em relação ao segundo no ranking, somos um povo Durepox, é fato.

  2. byWlad disse:

    Assim como o Ruy passei pela mesma ingrata situação, meu site inicial wbh foi aceito após meses de envio, a versão multi-lingue e muito mais aprimorada que denominei de fazersites simplesmente não entra nem por obra do ES. Agora ficou pior a submissões em português estão fora do ar a semanas. Basta pegar um tema e ver o que foi aprovado para se chegar a conclusão que não é lá coisa muito séria. Tenho a impressão que no fundo foi idéia tupiniquim a construção destrambelhada deste troço. Continuo tentando, afinal, valem bem uns 3 pontinhos em page-rank e isso não é nada desprezável, ainda que desprezível, hahhah. Quanto a honestidade de pessoas, ainda coaduno com um certo grego de nome Diógenes.

  3. Ruy Miranda disse:

    O Google desativou seu diretório por considerar que a busca na web é o melhor caminho para se achar as coisas na Internet. Contudo indica o Open para quem quer fazer busca em diretório, o qual é controlado por ele. Acaba, assim, a contradição citada, não pela duplicação, mas pela falta de audiência.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


× 1 = dois

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>