Anuncios na Internet: Lucro Facil e Fronteiras da Etica

A Internet é um lugar onde se perde dinheiro com facilidade, assim como um lugar onde se ganha muito, também facilmente. E não faltam pessoas para encontrar meios de utilizar o limite entre o que é e não é eticamente correto, para lucrar. Um desses lugares são os anúncios pagos.

Arbitragem – Muita gente e empresas pagam anúncios no Google e/ou Yahoo a um valor x por clique e, nas páginas de seu sites admitem a colocação de anúncios cujos cliques lhes rendem uma comissão maior do que x. Isto é o que os americanos chamam de “search arbitrage”, expressão tomada de empréstimo a certas operações no mercado de capitais conhecidas como “arbitrage”. A coisa funciona mais ou menos como se segue.

Você faz um site ou blog sobre, digamos, painéis de automóveis. Escreve umas bobagens nele e enche as páginas de anunciantes que vendem painéis de automóveis. Digamos que o Google ou o Yahoo lhe paguem, em média, R$0,10 (dez centavos de real) por clique que fizerem em suas páginas.

Simultaneamente você faz um anúncio sobre painéis de automóveis e anuncia no Google e/ou Yahoo, e pagará, digamos, R$0,05 (cinco centavos de real) por clique. Digamos, ainda, que você escreva no texto do seu anúncio: “Troque o painel do seu automóvel por um painel novo”. O que vou pensar ao ler este anúncio? Que eu posso trocar o painel do meu carro, que está com aqueles arranhados, por um painel novo, provavelmente voltando uma diferença. Eu clico no seu anúncio, que se acha em outros site ou blog, e caio em uma página de seu site ou blog. Vejo anúncios de painéis novos e clico. Chego lá no outro site e vejo que se trata de uma casa de peças, que eles têm realmente painéis novos, mas não é para troca.

Você me enganou? Não. Você não disse que haveria uma troca de painéis; apenas me induziu a interpretar desta maneira. Você agiu legalmente, ganhou R$0,05 (cinco centavos de real) com os meus dois cliques, mas certamente atuou numa fronteira de ética questionável. Quem bancou seu lucro foi a casa de peças. Tanta gente já lucrou com golpes desta natureza que até surgiram livros ensinando “macetes” para se ganhar dinheiro no AdSense, o anúncio do Google, onde o seu clique deveria levá-lo a um produto ou serviço real.

A recente entrada de anúncios por vídeos no Google, em que cada clique representa uma gorda comissão, está atiçando ainda mais este comércio. Você pode imaginar quanto trambique será tentado, quantas pessoas, a esta hora, em vários lugares do mundo, estão estudando formas de driblar os mecanismos de busca neste novo filão.

Proporções do Negócio – O exemplo que dei é singelo, e muita gente o utilizou e continua a fazê-lo, mas o negócio tem assumido proporções gigantescas. Suponhamos que você monte um diretório ou uma página amarela online, que cresce rapidamente. Na aparência você está bem intencionado: começa não cobrando nada para colocarem endereços de sites ou blogs, depois passa a cobrar uma bagatela, digamos, R$10,00 por ano.

Sua intenção verdadeira é ampliar o negócio naquele ganho colateral. Além de anunciar painéis de automóveis, você anuncia milhares de outros produtos e ainda serviços, posto que seu site tem milhares de páginas, com todos os produtos e serviços disponíveis. Naturalmente, cada anúncio do Google ou Yahoo é criteriosamente escolhido de forma a que quase todos visitantes lhe rendam dinheiro – o custo operacional daqueles que, eventualmente, não clicarem em anúncio algum, será cobertos pela bagatela anual cobrada dos anunciantes ingênuos.

E como você está mesmo afim de ganhar dinheiro, vai fazer o possível para drenar tráfego para seu diretório ou páginas amarelas online. Além de otimizar as páginas da web e promovê-las para as primeiras posições nos mecanismos de busca, além dos anúncios no Google e/ou Yahoo, vai trocar endereços de emails dos seus anunciantes ingênuos, com outros diretórios ou páginas amarelas, vai mandar toneladas de malas-direta com links para seu diretório ou páginas amarelas online, vai colocar anúncio no jornal, em newsletters, e assim por diante.

Fronteira Ética – Existe uma discussão nos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália, para nos limitarmos aos principais, sobre esses anúncios. Os que os defendem, dizem que esses “marqueteiro” estimulam o negócio do pagamento por clique. Os que são contrários dizem que eles estão matando a galinha dos ovos de ouro dos anunciantes e dos mecanismos de busca. Parecem que estes últimos estão certos.

Se aquela casa de peças que vende painéis de automóveis recebe muitos cliques e faz poucas vendas, o seu retorno sobre o investimento é pouco ou negativo, e a tendência dela é parar de anunciar nas páginas dos mecanismos de busca.

Iniciativas do Google – Aparentemente o Google detectou algum movimento nesse sentido e começou a implementar, em Junho último, medidas para desestimular essa prática. Na essência, anunciantes com pouco conteúdo em seus sites (e que teriam, presumidamente, a intenção de apenas ganhar dinheiro com os cliques) vão receber comissões menores. Adicionalmente, haverá alguma ação contra os grandes diretórios, páginas amarelas online, e assemelhados, que praticam esse tipo de comércio.

Convenhamos, são medidas de implementação difícil e que podem gerar distorções. Um segmento que será muito prejudicado é o dos afiliados e programas de afiliação, uma forma de divulgação ainda pouco utilizada em nosso meio. Digamos que você colocou um link no seu site ou blog para aquela casa de peças, e ainda faz recomendações favoráveis sobre ela. Isto não se trata do anúncio do Google ou Yahoo. Você fez um acordo direto com aquela casa para, no caso de qualquer venda feita por intermédio do seu link, receber, digamos, uma comissão de dez por cento sobre o valor da venda online. Isto se chama programa de afiliação e você é um afiliado. Softwares muito precisos rodam por trás e indicam que o comprador veio do seu site.

Você se afiliou a outras casas de peças que têm programas de afiliação semelhantes, e seu site é um conjunto de páginas de anúncios reais, e você não ilude seus visitantes. Muitas empresas que fazem negócios online sobrevivem, e ganham dinheiro honestamente, graças a esses programas de afiliação. Ocorre com freqüência do site do afiliado conseguir melhor posicionamento do que o site da própria empresa, e ter, por isto, mais tráfego do que o dela. Digamos que você, além da renda de afiliado, tem uma renda lateral, com os anúncios do Google ou do Yahoo nas mesmas páginas do seu site ou blog. Tudo certo, tudo legal. Você não está enganando ninguém. Mas a sua renda com o Google (AdSense) vai começar a cair, mesmo não participando do golpe.

Seja como for, este é mais um lance da eterna briga de gato e rato que se estabelece entre os mecanismos de busca e os oportunistas. Nesta luta, os que não cometem deslizes éticos poderão ser prejudicados.

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