Intercâmbio de Links: Coisa do Passado?

Matt Cutts, engenheiro e porta-voz do Google, acaba de anunciar em um painel de discussão sobre sites, que não se deve trocar links e, nem mesmo, se preocupar com isto. O painel ocorreu em Las Vegas, na conferência anual promovida pelo PubCon.com que, tradicionalmente, projeta as tendências na Internet. No caso, a projeção é para o ano de 2007.

O Painel – A conferência, chamada PubCon Vegas 2006, realizou-se entre 14 e 17 últimos. Nela ocorreu um painel em que proprietários de sites submeteram seus trabalhos a pesos pesados do marketing online e dos mecanismos de busca, tais como Matt Cutts do Google, Tim Mayer do Yahoo, Greg Boser do WebGuerrilla, e Danny Sullivan que, até dezembro ainda estará como editor do SearchEngineWatch. Entre as várias análises e sugestões dos panelistas, chamou a atenção a ênfase de Matt Cutts para se evitar o intercâmbio de links. Ele sempre fala em nome do Google, e fala de forma precavida, como convém a um porta-voz de uma grande corporação. Mas o sinal foi dado.

Isto é o fim do link como indicador de popularidade de um site? – Não. O link continuará sendo importante na determinação da popularidade de um site e da posição nas páginas de busca do Google e mecanismos de busca afiliados a ele. Mas, certamente seu peso será relativizado. Imagino que haverá uma depuração, e a popularidade será melhor avaliada.

Vejamos algumas situações que me levam a crer nisto. O leitor pode imaginar que vários links, em sites brasileiros que tratam de temas diversos, apontando para um site da China ou da Rússia, exprime um real reconhecimento do valor do site estrangeiro? O leitor pode confiar na popularidade de um site desconhecido cujos links externos são todos em inglês? Ou de um site em inglês que tem todos os links externos em português? E pode confiar, se os sites citados intercambiam links? Pode o leitor acreditar na sinceridade de dezenas de milhares de links apontando para um obscuro e vazio site? Certamente a resposta a todas estas perguntas é não, e que tais exemplos representam uma distorção no conceito de popularidade de um site ou página.

Distorções no intercâmbio de links – A maioria dos sites que intercambiam links o fazem não por reconhecer mérito no outro site ou ver nele um complemento às informações que presta, e sim como um esforço de obter tráfego. Na luta pela sobrevivência, precisam receber links e, se o preço é fazer a troca, fazem. Se o preço é comprar links, compram.

Esta matéria vinha me parecendo tão prostituída, que há cerca de um ano parei de efetuar trocas de links em meus sites em inglês e português. Como nos Estados Unidos a Internet é mais ativa que no Brasil, recebo pelo menos duas propostas de trocas por semana com os sites em inglês, as quais, há muitos meses, deleto sem mesmo ler o conteúdo. Em julho de 2005 escrevi um artigo neste site intitulado Popularidade do Link – Distorções, apontando o problema. E o leitor poderá reparar que, neste site de otimização, não incluí página de intercâmbio de links. Entretanto, ao navegar pelo site, encontrará muitas citações de outros sites e com links para eles. Este é o genuíno sentido do link, e da popularidade do site.

Os seus links intercambiados perderão o valor? – Provavelmente não. Acredito que poucos sites no Brasil serão afetados. O intercâmbio aqui é mais ingênuo e é possível que não soframos punição. Mas aqueles sites que claramente abusam, e cujos links, contados em centenas e milhares, são frutos de trocas diárias, e que só existem sob forma de reciprocidade, certamente vão perder posições. Mas também não creio que seja algo dramático, posto que, afinal, o Google sempre soube desses abusos e fez vistas grossas.

Razões do Google – Além das razões apontadas acima, creio que o Google tenha razões comerciais para intervir nesta matéria hoje. Quando vejo um único site beirando cem mil links, quando vejo sites oferecendo serviços de submissão a milhares de diretórios mundo afora, imagino que, por maiores que sejam os investimentos da empresa em computadores nos centros de dados, essa montoeira de links vai se tornando impossível de ser processada. Em conseqüência, as posições podem estar ficando distorcidas, o que compromete seu próprio negócio.

Quem perde e quem ganha – Ao sinalizar que não vai levar em conta links intercambiados, o Google pisa no freio. A quantidade de links que vai chegar aos seus centros cairá dramaticamente, e as análises serão mais confiáveis. Ganharemos todos, usuários e o Google. Somente perderão aqueles que andam nas sombras.

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