Riscos de uma Parceria Google – Yahoo

Há alguns meses começou uma especulação de uma parceria entre o Google e o Yahoo. As conversas entre representantes das duas empresas evoluíram para um formato de parceria um tanto surpreendente: o Google repassaria anúncios para o Yahoo. Esta associação esdrúxula tem vários aspectos discutíveis, cria um ambiente de estupefação, e fere sobretudo as pretensões da Microsoft.

Breve Histórico – Em maio de 2006, Steve Ballmer, executivo da Microsoft, disse que a intenção da empresa, então num terceiro lugar nas buscas e em franca queda de audiência, era se tornar a número 2 em buscas e número 1 em anúncios. A declaração causou uma certa perplexidade, já que era difícil entender um mecanismo de busca liderando os anúncios e ocupando um segundo lugar nas buscas. Ademais, para ser segundo nas buscas, precisava tomar o lugar do Yahoo que, a despeito de também se achar em queda, ainda tinha folgada dianteira. A declaração começou a ficar mais clara quando surgiram notícias de que Yahoo e Microsoft estavam conversando sobre uma maneira de fazerem frente ao crescimento avassalador do Google.

As conversas, que em 2006 versavam sobre fusão ou compra, convergiram para uma discussão franca em 2007, a qual caminhava para uma fusão de MSN e Yahoo.

Surgiram dificuldades não esclarecidas e a discussão mudou o foco para compra do Yahoo pelo MSN por um valor 62% acima do preço de mercado – a proposta foi feita no início de 2008. Isto clareou os planos da Microsoft de se tornar o número 2 nas buscas – já pensava na compra do Yahoo. Menos de um mês depois, o Yahoo rejeitou a proposta e seu dirigente máximo até se sentiu ofendido com a mesma. Fundos de investimento americanos que tinham ações do Yahoo e vinham perdendo com sua desvalorização, reagiram e entraram na justiça por considerarem que a recusa da venda por parte do Yahoo feria princípios legais do mercado de capitais e gerava prejuízos aos acionistas. além disto, ficou uma pendência envolvendo o pronunciamento de seu corpo de dirigentes que, por lei, teria de apreciar o assunto até o início de julho de 2008.

Naquela época da proposta de compra por parte da Microsoft, ou antes, ou depois, ninguém sabe exatamente, o Yahoo entabulou conversações com o Google, o que foi motivo de surpresa ainda maior quando veio a público. O Google só poderia se interessar por um negócio destes para dominar completamente o mercado e liquidar com as pretensões da Microsoft. Até mesmo Bill Gates se envolveu nas conversas e levantou questões legais se houvesse uma união das duas empresas. Agora o assunto ficou mais claro, porém explosivo, já que são inúmeras as conseqüências de sua eventual concretização.

O que o Google Quer – Os entendimentos estão girando em torno de uma parceria – o Yahoo continuaria a explorar os vários ramos empresariais, mas os seus anúncios seriam repassados pelo Google. Ou seja, o Yahoo deixaria de ser um anunciante e passaria a receber pela exibição dos anúncios do Google. Quando alguém for anunciar, terá de fazê-lo apenas no Google – não terá a opção, a não ser o MSN que hoje está com algo como 3% de audiência. O leitor pode imaginar os múltiplos desdobramentos e nuances dessa negociação.

– A parceria pode ser considerada uma fusão, monopolizar o mercado e com isto estaria em desacordo com a lei antitruste, ou seria uma forma de dominar o mercado iludindo a lei, e imobilizando-a no caso?
– O Yahoo pode estar cometendo uma loucura – no início o negócio pode até ser atraente, com o aumento significativo no faturamento, mas e depois, se o Google reduzir os anúncios, ou o percentual nos pagamentos, ou ainda cortar os anúncios?
– Como ficará o mercado, sem ninguém para competir? Imagine o leitor se os dois principais jornais do seu Estado ou cidade se fundissem para os anúncios pagos; a regulação de preços pelo mercado desapareceria e os preços certamente se elevariam muito.
– O Google poderá fazer uma série de imposições para receber anúncios pagos.

O leitor pode imaginar outros desdobramentos, mas estes já são suficientes para subverter a Internet. A proposta do Google revela de novo, e em outro campo uma de suas mazelas que, à falta de um nome melhor, chamei de Personalidade Anal. Creio que dentro de dois meses no máximo, teremos uma definição deste negócio.

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2 respostas a Riscos de uma Parceria Google – Yahoo

  1. Ruy Miranda disse:

    Ontem, dia 5 de novembro de 2008, o Google desistiu oficialmente da parceria nos anúncios com o Yahoo, o que está causando alívio a muita gente. A alegação para a desistência é que estava se prenunciando um grande desgaste da empresa para rebater todos os questionamentos legais. Um deles, como é sabido, era de uma agência governamental americana que via no acordo uma forma de monopólio (que lá é tratado por uma lei chamada anti-truste).<><>Creio que a Internet ficará melhor assim.

  2. Pingback: Yahoo Sem CEO – Microsoft Esnoba | Otimização de Sites

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