Yahoo Sem CEO – Microsoft Esnoba

Jerry Yang, o principal executivo do Yahoo, saiu / foi exonerado desse cargo, no último dia 17 e a empresa procura um substituto. Ele foi um dos fundadores do Yahoo, e ficou no cargo de principal executivo durante 18 meses. Após a saída, voltou aos cargos que exercia antes, de diretor e membro do conselho diretor. Esta mudança tem importância porque Yang tem sido acusado de principal responsável pelos retrocessos que o Yahoo vem sofrendo ultimamente.

Há quem atribua a ele a responsabilidade de Yahoo e MSN não terem se fundido e também pela perda de cerca de sessenta por cento no valor de mercado do Yahoo (caiu de 40 bilhões de dólares para 16 bilhões). Os comentários são de que a fusão não ocorreu porque houve um choque de egos entre ele e Steve Ballmer, dirigente máximo da Microsoft, que esteve recentemente no Brasil.

A informação sobre sua saída diz, a certa altura: “Jerry e o Conselho tiveram um permanente diálogo acerca do momento da sucessão, e nós concordamos que agora é o momento certo para fazer a transição para um novo CEO que possa conduzir a companhia a nível mais alto”. Portanto, não foi Jerry Yang que pediu para sair, mas foi uma decisão concertada com todo os conselheiros.

Evolução dos fatos – É um equívoco atribuir a Jerry Yang todos os problemas do Yahoo. Ele pode ter sido decisivo em alguns, mas as dificuldades da empresa começaram antes dele ocupar o cargo do CEO (Chief Executive Officer, que corresponde ao cargo executivo-chefe mais elevado, tal como Gates foi na Microsoft e Steve Ballmer é hoje). Talvez ele pudesse ter revertido a evolução desfavorável. Vamos remomeorar etapas e fatos.

– O Yahoo, que era líder na Internet, começou a perder posições para o Google nos primeiros anos desta década.
– O Google assumiu definitivamente a liderança e Jerry Yang foi conduzido ao cargo de dirigente máximo, na esperança de que conseguisse reverter a situação.
– A Microsoft, que também vinha perdendo mercado nas buscas, com a MSN, começou a negociar uma fusão desta com o Yahoo.
– Houve uma resistência ao negócio por parte de Jerry Yang, mas Steve Ballmer fez, no começo de 2008, uma oferta que para todos era considerada irrecusável: 44.6 bilhões de dólares.
– Ninguém entendeu a recusa de Jerry Yang – houve protestos, ações na justiça por parte de acionistas do Yahoo que se julgavam prejudicados. Surgiram especulações de que o negócio não foi adiante por causa de uma disputa de egos – de um lado, a agressividade de Ballmer, manifesta na forma como fez a proposta, do tipo “aceita ou não voltamos a falar do assunto”, e de outro lado, a reação negativa de Yang que teria colocado os brios pessoais acima dos interesses da companhia.
– Logo em seguida vazou a notícia de que estava em andamento uma pareceria do Yahoo com o Google para receber anúncios deste e que, a meu ver, era um perigo para a Internet, mas que foi considerado por muitos, uma grande jogada de Yang, a qual, inclusive, acalmou um pouco os acionistas.
– O negócio Google-Yahoo começou a parecer monopólio e, tanto o governo dos Estados Unidos como instituições privadas, entraram na justiça questionando a parceria nos anúncios.
– Temendo o desgaste, o Google desistiu do negócio.

Então, a situação de Yang ficou insustentável e culminou na sua saída.

Posição da Microsoft – Indagado ontem (19-11-2008) sobre as possibilidades de voltar a negociar com o Yahoo, Ballmer disse que não tinha mais interesse. Eu tenho minhas dúvidas – o MSN vem adotando uma política ultrapassada, e que é a compra de grandes empresas, coisa que o Yahoo já havia feito e não deu certo. Aparentemente ele teria querido imitar o Google, mas a política deste é diferente: ao invés de grandes aquisições, compra muitas empresas pequenas cujos produtos vão agregar recursos aos serviços que presta. Para mim, Ballmer está esnobando ao dizer que não tem mais interesse, e uma maneira de fazer os acionistas pressionarem ainda mais os dirigentes do Yahoo. A fusão é a única saída para ambas. Ocorre que, agora, Ballmer está numa posição privilegiada: o Yahoo provavelmente vai pedir-lhe para ser comprado, e o preço do negócio será outro. Basta ver o que ocorreu ontem, a tremenda queda das ações do Yahoo na bolsa de Nova York, para se esperar isto. Haverá, provavelmente, uma maquiagem, do tipo informar que o negócio é diferente do que tinha sido tratado antes, por isto o preço é menor, tem a crise mundial agora, e coisas do gênero, mas a verdade é que, sem essa fusão na área de buscas, o Google vai acabar de engolir os dois, pois já os tem no papo. Só não os digerirá se houver a fusão.

Como MSN e Yahoo poderiam competir com o Google? – Se antes, no começo do ano, ao oferecer 44.6 bilhões de dólares, a Microsoft certamente ainda tinha bala para pôr no negócio e lutar com o Google, podemos imaginar agora, se vier a pagar menos. Digamos que a Microsoft tivesse calculado, no começo do ano, um investimento anual, afora o que saísse do próprio negócio, de 3 bilhões de dólares para fazer pesquisas, desenvolver produtos e comprar ferramentas desenvolvidas por terceiros, como faz o Google. Agora, numa eventual fusão, terá, digamos, 5 bilhões por ano. Se acrescentarmos a isto lucros da eventual empresa MSN-Yahoo, podemos esperar que o Google terá concorrente à altura. E isto será bom para todos nós.

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