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Popularidade do Link - Distorções

Ruy Miranda
Otimização de Sites


A popularidade do link, também chamada popularidade do site, sofreu mudanças em sua concepção e na sua aplicação, desde o seu aparecimento em 1998, como critério para ordenar as páginas nas listas dos mecanismos de busca. Tais mudanças foram fruto da mentalidade capitalista predatória (entenda-se lucro a qualquer preço). A história tem muitos capítulos e sub-capítulos.

Para alcançar os primeiros lugares nas listas de sites ou de páginas da web, os webmasters passaram a iludir os robots e computadores dos bancos de dados dos engenhos de busca. Estes, por sua vez, correm atrás para encontrar formas de barrar tais expedientes. O Google tem sido o lider nessas batalhas porque ele surgiu fortemente baseado no conceito de popularidade do link – na verdade os seus fundadores foram os primeiros a aplicar esse conceito para ordenar os sites ou páginas nas listas.

Popularidade artificial – Um dos primeiros expedientes que os webmasters usaram foi o de de criar papularidade artificial. Isso consistia em criar páginas que continham apenas links que apontavam para o site que se queria promover. Por exemplo, um webmaster ou empresa de marketing na internet era contratada para fazer uma campanha de um determinado produto. A programação envolvia a compra de dezenas ou centenas de nomes de domínio. Os sites criados com esses domínios eram muitas vezes apenas uma página com o link apontando para o site da empresa ou continham algumas bobagens escritas e o link. Resultado: em um ou dois meses o site estava nos primeiros lugares. A campanha durava, digamos 6 meses, porque as vendas começavam a declinar – os "sites" de fantasia eram abandonados, os domínios não eram renovados, o webmaster saía com o seu dinheiro, a empresa que vendeu idem, os usuário e o mecanismo de busca chupavam o dedo.

Tais expedientes deram origem à aplicação do conceito de spam na internet e que nós, no Brasil, transformamos também no verbo spamear (ainda não incluído no Houaiss). No caso, a concepção correta é spam do link, pois outros produtos da internet podem ser spameados também.

Fazendas de links – Outro expediente usado nesse início, conhecido como fazenda de link ou "farm link", era construir páginas com centenas de links com temas diferentes, sem nenhuma correlação uns com os outros, e interligados. Por exemplo, o site, que era sobre parafusos, colocava nessas páginas links para os sites do médico, do advogado, do jogador de futebol, do toureiro, da loja de flores, da funerária, do remédio que cura tudo, do webmaster, e assim por diante. Todos este, por sua vez, colocavam os links para os demais, inclusive para o site sobre parafusos.

De forma singela, pode-se dizer que uma fazenda de links é qualquer página da web com links sobre temas diferentes, não relacionados uns com os outros, apontando para fora. O sistema funcionava num conluiu dos participantes, para aumentar os resspectivos ranks e melhorar suas posições nos mecanismos de busca, principalmente do Google. Existem muitos caminhos para um site ser banido para sempre do Google – a fazenda de links ou link farm é um deles.

Rings – Logo em seguida surgiram os círculos ('ring' no original) – associação de web sites que intercambiam links. Esse tipo de associação ainda existe e não é, rigorosamente, um spam, mas pode ser usado com essa finalidade. Por exemplo, se um grupo de pessoas ou empresas interessadas em "calçados femininos" se associa através de links em seus web sites para trocar idéias relacionadas à fabricação desses produtos, isso pode ser uma forma disfarçada de promoção mútua de ranks. Qualquer site que recebe uma carga súbita de links, como ocorre com a entrada em um desses 'rings', passa a ser monitorado pelo Google.

Intercâmbio de links – Quase simultaneamente surgiu a concepção, entre os webmasters, de intercâmbio de links. Um web site aponta o link para outro e este, em retribuição, aponta um link para aquele. Isso também causa distorção nos resultados – a popularidade é artificial, posto que combinada. Entretanto esse tipo de "popularidade" é tolerada pelos mecanismos de busca.

Se os links são relacionados, eles são até bem-vindos pelo Google e demais mecanismos de busca. Se um site sobre timidez aponta um link para um site sobre fobia social, e recebe deste um link de volta, isto é bom para o usuário e para os mecanismos de busca. Para o usuário é bom porque ele pode ter dúvida sobre o seu diagnóstico de timidez; então, ele segue o link a vai no outro site ver se seu problema é fobia social. Para o mecanismo de busca é bom porque numa das listas – sobre timidez e sobre fobia social – tem alguém anunciando um fórmula milagrosa para resolver o tal problema. O usuário, ao passar de um site para outro, depara com esta anúncio e clica nele. O mecanimso de busca recebe uma importãncia, por este clique, do dono do site que está vendendo a fórmula milagrosa, mesmo que este usuário não faça a compra do produto. Sites com muito tráfego e que geram tráfego em outros, recebem alguns privilégios dos mecanismos de busca.

Texto do link – Para melhor caracterizar o valor do link para aferir a popularidade, evoluiu-se para o conceito de texto do link. Se um link para um site de calçados femininos é seguido por uma desses expressões no texto, significa que ele está de fato interessado naquele web site. Por exemplo, se após o link ele coloca 'calçados' ou 'femininos' ou ambos no texto da página logo após o link (melhor ainda, dentro da tag âncora <a>), significa, para o programa dos computadores do banco de dados, que aquele link é válido para se medir a popularidade.

Texto do link fora do texto da página – Como os webmasters contornaram o problema da exigência do texto do link quando os sites tratam de temas diferentes? Colocando links puro e simples seguidos do texto, fora do texto da página doadora de link. Por exemplo, pediam (ou pagavam) para que o dono de uma loja de ferragens colocasse na home ou em outra página interna do seu site, fora do texto relacionado a ferragens (abaixo do menu, por exemplo), o link para o site de calçados femininos, com a expressão "calçados femininos" dentro da tag âncora . Os computadores dos bancos de dados entendiam isso – e ainda entendem – como sendo interesse de um web site pelo outro e isso contava e conta ponto para o site que recebia/recebe o link.

Entretanto, como links com temas não relacionados são ruins, em termos de negócio, para os mecanismos de busca, eles estão passando a desconsiderá-los. Não punem o site, mas também não os incluem no cálculo do rank. E por que isso é ruim para os mecanimso de busca? Porque o usuário segue um link achando que vai encontrar algo sobre o que ele está procurando e encontra um site totalmente diferente. Sua tendência é sair rápido dali, e procurar outro mecanismo de busca. Este mecanismo de busca perdeu a chance que havia deste usuário clicar, em outra lista sua, para comprar aquela fórmula milagrosa.

Venda de Links – Essa jogo de gato e rato tem desdobramentos como por exemplo, a venda de links. Vou ilustrar com exemplo pessoal. Eu recebo propostas periódicas para colocar links em meus sites em inglês, pelo fato de estarem bem ranqueados e bem colocados nos mecanismos de busca norte-americanos. Quanto maior o rank e melhor a colocação do site ou página, maior é o preço da "hospedagem" do link. Naturalmente, não faço tais negócios. Mas a prática está tão disseminada que existem sites que intermediam esses negócios, recebendo comissões. Os pagamentos são mensais ou anuais, e podem variar de algumas dezenas a milhares de dólares por link, dependendo do tráfego que o site apresenta.

Criaram empresas para intermediar esses negócios e muitas pessoas criam sites apenas para vender hospedagem de links. Em geral as coisas funcionam assim: a empresa intermediária oferece um preço pela hospedagem do link; uma vez aceito, ela anuncia o site ou página e coloca o seu preço, que inclui a comissão; o interessado visita o site ou página e contrata a hospedagem; a empresa envia ao dono do site o link que deverá ser incluído no site ou página, e faz o pagamento da forma como foi pactuado. E o link ali fica pelo período contratado, que pode ser um mês ou vários meses ou um ano. Vendedor e comprador não mantêm contato direto. E tais empresas e seus respectivos sites são listados por todos os mecanismos de busca, e competem por melhores posições.

Isso está fazendo surgir uma corrida sem precedentes para aumentar o rank das paginas (PR) de muitos web sites. O negócio é alcançar ranks acima de 5 no Google e vender hospedagem. A ganância, naturalmente, leva as pessoas a correrem riscos, iludir os mecanismos de busca. Tais sites, quando apanhados, perdem o status ou são banidos, e quem comprou fica no prejuízo. E por esta razão, o que tem ocorrido com mais freqüência, é o pagamento mensal, mediante a exibição do link.

Alternativas dos Mecanismos de Busca – A alternativa que os mecanismos de busca estão tendo para a compra de links é de só considerar como válido o link que está sendo exibido há meses ou pelo menos um ano. Desconfio que o Google passou para dois anos. A razão é que a maioria de tais negócios é feita para hospedagem de pouco tempo, três meses por exemplo, o que há algum tempo era suficiente para que o mecanismo de busca considerasse o link como válido.

O esforço corrente dos mecanismos de busca para sustentar o uso da popularidade dos links é apenas mais um capítulo nesta história que apresenta muitos sub-capítulos que serão apresentados em outras oportunidades. Uma coisa se destaca nesse jogo: há muita criatividade dos dois lados – dos mecanismos de busca na criação dos critérios, e dos webmasters inescrupulosos na arte do burlar esses critérios.

Nos últimos meses do primeiro semestre de 2007 o Google passou a agir de forma mais severa com os que vendem ou intermediam a venda de links. Para isto colocou um link para que os webmasters os denunciem.

Julho/2005
Atualizado em Junho, 2006
Atualizado em Junho, 2007

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